cover
Tocando Agora:

Caso Ramagem: o que é o 'princípio da reciprocidade' que PF do Brasil usou para barrar agente dos EUA

Retirei as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade, diz diretor da PF O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, di...

Caso Ramagem: o que é o 'princípio da reciprocidade' que PF do Brasil usou para barrar agente dos EUA
Caso Ramagem: o que é o 'princípio da reciprocidade' que PF do Brasil usou para barrar agente dos EUA (Foto: Reprodução)

Retirei as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade, diz diretor da PF O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, disse nesta quarta-feira (22) que retirou as credenciais de trabalho de um servidor dos EUA com base no princípio de reciprocidade. O fundamento estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado por ele nas relações internacionais. A medida foi tomada após o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho receber uma ordem para deixar os EUA, segundo o governo norte-americano. O diretor da PF negou que o brasileiro tenha sido expulso do país. "Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade", disse Andrei durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews. 🔎 Em termos gerais, o princípio significa que direitos concedidos por um país a outro costumam ser acompanhados de obrigações equivalentes — evitando que apenas um dos lados se beneficie das regras. O fundamento não é uma lei, mas uma prática comum nas relações internacionais. "O princípio funciona no sentido de você poder devolver o que lhe foi aplicado. Ele pode ser usado em uma série de campos das relações internacionais", explica Ana Carolina Marson, professora da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Na prática, isso também pode se traduzir em cobrança de taxas, prazos de permanência ou outras restrições de entrada adotadas como resposta a medidas semelhantes impostas pelo outro país. LEIA TAMBÉM Itamaraty diz que governo Trump não seguiu 'boa prática diplomática' e que embaixada já foi comunicada sobre reciprocidade contra agente americano Usado em outro momento pelo Brasil Em março de 2026, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) usou o princípio de reciprocidade para revogar a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump. Na época, o assessor, que atua em temas relacionados ao Brasil, viria ao país e pretendia visitar Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha. A justificativa do governo para a revogação do visto foi que Beattie teria omitido o real motivo da visita e planejado encontros de caráter político no país. Antes da decisão oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Beattie só entraria no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pudesse entrar nos EUA. Em 2025, os EUA cancelaram os vistos da mulher e da filha de Padilha, enquanto o do ministro já estava vencido. Segundo especialistas, a negativa ao assessor americano seguiu o princípio de reciprocidade entre os países. Andrei Rodrigues, diretor-feral da Polícia Federal, fala em CPI Andressa Anholete/Agência Senado