Falta de arborização intensifica calor extremo em favelas do Rio, aponta pesquisa
Pesquisa indica que moradores de comunidades do Rio podem sentir o calor extremo de forma ainda mais aguda Moradores de comunidades sentem de forma mais intensa...
Pesquisa indica que moradores de comunidades do Rio podem sentir o calor extremo de forma ainda mais aguda Moradores de comunidades sentem de forma mais intensa os efeitos do calor extremo deste verão. Dados do IBGE mostram que 6 em cada 10 pessoas que vivem em favelas moram em trechos sem nenhuma arborização. Fora desses territórios, 69% da população vive em áreas com árvores próximas. No Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, pesquisadores identificaram ilhas de calor com temperaturas até 6 °C mais altas do que em regiões próximas. Nas ruas do Complexo de favelas da Maré, o calor é intenso, a combinação de sol forte, pouca sombra e casas muito próximas umas das outras, torna a sensação térmica ainda mais quente. “Você vai lá na minha laje de quarto andar, tá pegando fogo, o chão tá queimando”, relata o mototaxista Márcio Rodrigo da Silva. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Pesquisas realizadas pela Redes da Maré mostram que o calor na cidade do Rio não é sentido da mesma forma por todos. Segundo o levantamento, feito ao longo de seis meses em 2023, foram identificadas três principais ilhas de calor no território: Nova Maré, Baixa do Sapateiro e Conjunto Bento Ribeiro Dantas. A diferença de temperatura entre o ponto mais quente da comunidade e o Aeroporto do Galeão, a cerca de seis quilômetros de distância, pode chegar a 6 °C. Em 2026, a organização pretende instalar 25 medidores de temperatura e de qualidade do ar dentro das casas da Maré, com o objetivo de registrar os impactos das mudanças climáticas no cotidiano dos moradores. De acordo com o coordenador de projetos Rian de Queiroz, as características urbanas das favelas contribuem para o agravamento do calor. “As favelas são resultado de políticas excludentes. No contexto de crise climática, isso se materializa muito no adensamento de construção, ruas mais estreitas, verticalização muito grande, criando cânions urbanos que condicionam a circulação de ar. Você tem materiais que concentram calor e não refletem, além da falta de arborização e áreas verdes. Ou mesmo áreas de lazer abertas que pudessem favorecer essa circulação de ar” Dados do IBGE mostram que 64,6% dos moradores de favelas e comunidades urbanas no Brasil vivem em áreas sem nenhuma árvore, o que representa 10,4 milhões de pessoas. A coordenadora de projetos Diana de Souza explica que a falta de sombra impacta diretamente a rotina. “Dificulta o caminhar, o trabalho na rua. Há pouca sombra. Com isso a gente vai tendo o que é chamado de estresse térmico, ficando mais cansado e mais irritado devido ao alto calor.” Além das altas temperaturas, a população enfrenta falta de água e quedas frequentes de energia, especialmente nos meses mais quentes do ano. Para o professor Raniery Soares, os problemas já fazem parte da rotina. “Todo verão é a mesma coisa. A gente já aguarda. No período de dezembro a janeiro a gente vai ter problema de falta de luz, por conta do calor recorrente que chega a 40, 42 graus dentro das favelas.” Segundo Rian, a ausência de dados oficiais também contribui para a invisibilidade do problema. “Não temos estações meteorológicas aqui na Maré e nem em outros territórios periféricos. Não sendo visto é como se não existisse. A gente trabalha nessa produção de dados e nessa visibilidade para essas injustiças climáticas.” destaca o o coordenador. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima diz que faz o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica para diminuir o calor em áreas onde se encontram as maiores favelas do Rio e que a Secretaria Municipal de Habitação plantou em 2 anos quase 1,3 mil árvores em comunidades.