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Keiko Fujimori toma posse como nova presidente do Peru com discurso de combate a criminalidade e às mudanças climáticas

Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru Keiko Fujimori assumiu a Presidência do Peru nesta terça-feira (28) , em uma sessão solene no Congresso do ...

Keiko Fujimori toma posse como nova presidente do Peru com discurso de combate a criminalidade e às mudanças climáticas
Keiko Fujimori toma posse como nova presidente do Peru com discurso de combate a criminalidade e às mudanças climáticas (Foto: Reprodução)

Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru Keiko Fujimori assumiu a Presidência do Peru nesta terça-feira (28) , em uma sessão solene no Congresso do país. A cerimônia marca o retorno da direita ao poder em Lima e conta com o argentino Javier Milei entre os convidados. Ela é a primeira mulher eleita presidente da história do Peru. Filha do ditador Alberto Fujimori, que governou o país com mão de ferro entre 1990 e 2010, a direitista de 51 anos fez um discurso pedindo pela união interna do país e dizendo que seu governo atenderá a todos. "Viva a reconciliação do Peru", disse. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Keiko Fujimori é a décima presidente do Peru desde 2016. O país viveu uma década de instabilidade política, em que nenhum líder conseguiu completar um mandato completo de cinco anos. Ela anunciou que a segurança pública e o combate às mudanças climáticas serão as prioridades de sua gestão. As Forças Armadas passarão a liderar temporariamente as operações de segurança nos estados com maiores índices de violência e criminalidade, em conjunto com a Polícia Nacional, segundo a líder. A presidente também prometeu ampliar o uso de tecnologia na segurança pública, com medidas como um sistema nacional de videomonitoramento, plataformas de inteligência artificial para antecipar e mapear crimes e novos centros de comando para coordenar as operações. Keiko Fujimori toma posse como presidente do Peru, em cerimônia nesta quarta (28) Guadalupe Pardo/Pool via Reuters Combate às mudanças climáticas Durante seu discurso, a nova presidente afirmou que o governo adotará medidas urgentes para enfrentar os impactos do fenômeno El Niño. Fujimori anunciou que editará decretos de urgência e pedirá ao Congresso poderes para acelerar as ações de resposta. "Para enfrentar os desafios urgentes trazidos pelo fenômeno El Niño, emitiremos decretos de urgência e solicitaremos ao Congresso faculdades delegadas", disse. A presidente também prometeu ampliar os investimentos em infraestrutura para reduzir os efeitos de eventos climáticos extremos. Entre as obras previstas estão a construção de barragens, diques, poços, canais de irrigação, estações de bombeamento e sistemas de abastecimento de água, além da expansão da malha rodoviária do país. Onda azul na América Latina A cerimônia marca o retorno do sobrenome Fujimori à Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano, em 26 anos. Keiko saiu vencedora do segundo turno das eleições contra Roberto Sánchez. A votação foi realizada em 7 de junho, mas o resultado oficial só foi divulgado em 3 de julho, após uma contagem apertada que terminou com apenas 49.641 votos separando os dois candidatos. Esta foi sua quarta candidatura à Presidência do país e a primeira vez em que ela não terminou em segundo lugar no pleito. Nas outras três, ela acabou derrotada também por uma margem mínima de votos. Sánchez indicou que não reconheceria o resultado e afirmou que recorreria a instâncias internacionais. Agora no g1 Em seus discursos de vitória, Keiko Fujimori tem falado em união do país frente à divisão política da sociedade peruana. Os Estados Unidos têm buscado fortalecer as relações com o Peru devido à sua produção de cobre e minerais estratégicos, além de possuir portos no Oceano Pacífico considerados relevantes para a disputa de influência com a China na região. O vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, participou da cerimônia de posse e se reuniu com Fujimori em Lima antes do evento. Também estiveram presentes os presidentes Javier Milei, da Argentina, Antonio Kast, do Chile, e Rodrigo Paz, da Bolívia. Milei compareceu também à convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, no último sábado. Em um discurso inflamado em São Paulo, ele valorizou a chamada "onda azul" na América do Sul, que vê a eleição da direita em diferentes países, como a Colômbia e o próprio Peru. País dividido e crise política Keiko assume o comando de um Peru profundamente dividido e mergulhado em uma crise política que se arrasta há mais de uma década, com presidentes destituídos em série. Ela receberá a faixa, inclusive, do presidente interino José María Balcázar Zelada, que foi escolhido pelo Congresso para cumprir um mandato-tampão em fevereiro, após a destituição de José Jerí. A nova presidente também enfrentará um Legislativo fragmentado: sua legenda, a Força Popular, elegeu as maiores bancadas — 41 deputados e 22 senadores —, mas está longe da maioria em ambas as casas, o que exigirá negociações com forças de direita e de centro. Aos 51 anos, Keiko está na política desde a adolescência, quando passou a acompanhar o pai, o ditador Alberto Fujimori, em agendas oficiais. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita ao Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Entre 2018 e 2020, chegou a passar cerca de um ano e meio presa no âmbito de investigações sobre suposto financiamento irregular de campanha, caso posteriormente arquivado.