Maduro enfrenta nova audiência nos EUA, e defesa tenta derrubar acusações de tráfico
Maduro se declara inocente em audiência em Nova York e afirma ainda ser o presidente O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro vai passar por uma nova audiênci...
Maduro se declara inocente em audiência em Nova York e afirma ainda ser o presidente O ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro vai passar por uma nova audiência na Justiça dos Estados Unidos nesta quinta-feira (26). A expectativa é que a defesa tente derrubar as acusações de tráfico de drogas apresentadas contra ele em um tribunal federal de Nova York. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: A audiência acontece quase três meses após Maduro ser capturado durante uma operação americana na Venezuela. Em 3 de janeiro, ele foi levado para Nova York e passou a responder por acusações de colaboração com guerrilhas e cartéis para o envio de cocaína aos EUA. A mulher do ex-ditador, Cilia Flores, também está presa e responde a acusações criminais nos EUA. Os dois já passaram por uma audiência poucos dias após a prisão. À época, Maduro disse ser um "prisioneiro de guerra". Maduro está detido no Metropolitan Detention Center, uma penitenciária federal conhecida pelas condições extremas e por abrigar presos famosos. O ex-ditador está sozinho em uma cela e não tem acesso a jornais ou internet. Uma fonte do governo venezuelano disse à agência France Presse que Maduro tem passado o tempo lendo a Bíblia e que é chamado de "presidente" nos corredores. Ele tem autorização para usar o telefone para falar com familiares e advogados, com limite de 15 minutos por chamada. Na segunda-feira (23), o filho do ex-ditador, Nicolás Maduro Guerra, disse que o pai está bem, animado e cheio de energia. "Vamos ver um presidente esbelto e atlético, que se exercita todos os dias", declarou. Além das acusações criminais, um dos principais pontos da audiência desta quinta-feira deve ser a discussão sobre quem vai custear a defesa de Maduro e Cilia. O governo venezuelano quer assumir os gastos, mas precisa de autorização da Casa Branca por causa das sanções impostas ao país. Maduro escolheu como advogado Barry Pollack, o mesmo que atuou no caso do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e ajudou a tirá-lo da prisão. Pollack já pediu que a Justiça dos EUA arquive o processo contra Maduro, alegando interferência do governo americano no pagamento dos honorários advocatícios. Para a defesa, a exigência viola direitos constitucionais do venezuelano. A segurança no entorno do tribunal deve ser reforçada para a audiência, como ocorreu em janeiro, logo após a prisão. O caso é conduzido pelo juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, conhecido pela longa carreira no Judiciário. LEIA TAMBÉM Acordo nuclear e reparação de danos: veja as condições de EUA e Irã para encerrar a guerra Itamaraty manifestou ao governo Trump oposição do Brasil à classificação de PCC e CV como terroristas Apenas 3 países votaram contra a ONU declarar que tráfico de escravizados africanos foi 'o crime mais grave contra a humanidade'; veja quais Maduro foi capturado em Caracas e levado para julgamento nos Estados Unidos Reuters Acusações Maduro responde por narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína, além de conspiração e posse de armas e explosivos. O governo dos EUA acusa Maduro de chefiar uma organização criminosa chamada "Cartel de los Soles". A Casa Branca colocou o suposto grupo na mira ao classificar organizações de tráfico de drogas como organizações terroristas. As conclusões do governo americano, no entanto, são contestadas por pesquisadores do tema. Para especialistas, o grupo não funciona como uma hierarquia definida, mas como uma “rede de redes” que facilita o tráfico de drogas e lucra com a atividade. Ainda assim, há indícios de que Maduro seja um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele teria ajudado a instalar no país. Após Maduro ser capturado pelos EUA, a Venezuela passou a ser governada de forma interina por Delcy Rodríguez, então vice-presidente. Ela tem atendido a exigências da Casa Branca e foi até elogiada pelo presidente Donald Trump. VÍDEOS: mais assistidos do g1