cover
Tocando Agora:

Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data

Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data Lilian Campelo A 2ª Turma d...

Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data
Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data (Foto: Reprodução)

Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data Lilian Campelo A 2ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) manteve a decisão que leva os acusados do Massacre de Pau D'Arco a júri popular. A decisão ocorreu após rejeitar os principais recursos apresentados pelas defesas dos policiais civis e militares denunciados pelo caso. No entanto, segundo a Justiça, o julgamento ainda depende de novos trâmites. O massacre ocorreu em 24 de maio de 2017, durante uma operação policial na antiga Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco. Na ação, 10 trabalhadores rurais morreram. Um ato foi realizado esta semana cobrando respostas e justiça. Mesmo após nove anos das mortes, o júri popular ainda não tem data definida e nenhum policial foi julgado. Desde o início das investigações, o Ministério Público do Pará sustenta que não houve confronto, mas execução das vítimas, seguida de manipulação da cena do crime para simular troca de tiros. TJ do Pará decide levar acusados de chacina a júri popular em Pau D'Arco ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp O que apontaram as investigações: Massacre de Pau D’Arco: nove anos após morte de 10 trabalhadores rurais, nenhum policial foi julgado e júri ainda não tem data Reprodução / CPT Em setembro de 2017, o Ministério Público denunciou 17 policiais por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, tortura, fraude processual e associação criminosa. Na época, a Justiça decretou a prisão preventiva de 15 policiais envolvidos na operação. Os mandados foram cumpridos em Belém e em Redenção, no sul do Pará. Antes disso, parte dos agentes já havia sido presa temporariamente durante as investigações, mas acabou solta posteriormente. Segundo a perícia da Polícia Federal, não havia indícios de confronto armado e parte das vítimas teria sido executada à queima-roupa. Os laudos também apontaram que nenhum policial ficou ferido na ação. As investigações indicaram que os trabalhadores rurais foram surpreendidos enquanto estavam abrigados da chuva sob uma lona dentro da fazenda. Parte dos réus chegou a ser retirada do processo inicialmente, mas recursos posteriores mantiveram 16 policiais pronunciados para julgamento popular. Nesta semana, os desembargadores rejeitaram pedidos das defesas que questionavam a denúncia, as provas produzidas e a legalidade das investigações, mantendo a decisão que leva os policiais a júri. Quase uma década de espera Massacre de Pau D'Arco: Ato refaz caminho de trabalhadores assassinados por policiais há quase uma década no Pará. Reprodução / CPT O processo tramita há quase dez anos entre recursos e questionamentos apresentados pelas defesas dos policiais, que alegaram nulidades processuais, falhas na investigação e problemas nas provas periciais. Apesar da decisão desta semana ser considerada um avanço pelas organizações que acompanham o caso, ainda não há previsão para o julgamento ocorrer. Após a decisão do TJPA, o processo entra na etapa que antecede o Tribunal do Júri. A Justiça ainda deverá concluir trâmites processuais antes de definir a data do julgamento popular dos acusados. “O julgamento dos recursos representa um passo extremamente importante porque pode destravar um processo que há anos aguarda definição e permitir que os acusados sejam efetivamente submetidos ao julgamento popular”, afirmou Jamyla Carvalho, advogada da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em 2021, uma testemunha sobrevivente do massacre foi assassinada na mesma região. Fernando dos Santos Araújo havia sobrevivido à chacina e integrou o Programa de Proteção à Vítima (Provita), mas acabou morto dentro de casa, na área da antiga Fazenda Santa Lúcia. Neste fim de semana, familiares das vítimas, sobreviventes e movimentos sociais realizaram atos em memória dos mortos e cobraram justiça no caso. A programação ocorreu no atual Projeto de Assentamento Jane Júlia, criado em janeiro deste ano na área onde ocorreu o massacre. Segundo organizações sociais, cerca de 200 famílias seguem vivendo no território. Sobrevivente da Chacina de Pau D'arco é assassinado dentro de casa VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará