Placa em rodovia homenageia Yasminny Couto Ribeiro, vítima de feminicídio em Sumidouro
Placa em rodovia homenageia vítima de feminicídio em Sumidouro Divulgação A placa que dá o nome de Yasminny Couto Ribeiro a um trecho da RJ-242 foi inaugur...
Placa em rodovia homenageia vítima de feminicídio em Sumidouro Divulgação A placa que dá o nome de Yasminny Couto Ribeiro a um trecho da RJ-242 foi inaugurada nesta segunda-feira (26), em um ato de memória e homenagem. O local fica a poucos metros de onde a farmacêutica, de 28 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-namorado, Willian Hottz da Silva, em Sumidouro, na Região Serrana do Rio. A homenagem foi viabilizada após um abaixo-assinado organizado por amigos e vizinhos da vítima. Com o apoio do deputado estadual Pedro Brazão (União), o pedido foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e aprovado em 2024. Com isso, o trecho da RJ-242 entre as localidades de Soledade e Campinas passou a levar o nome de Yasminny. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Ao g1, o padrasto da jovem, José Carlos Barroso, falou sobre a importância do momento. “O assassino da nossa filha está preso, mas a dor continua. É um sofrimento que não passa e só parece aumentar. Essa homenagem e o carinho das pessoas são importantes, porque mostram o quanto ela era querida e como todos também sentem essa perda junto com a gente.” Veja os vídeos que estão em alta no g1 A mãe de Yasminny, Nilda Agostinho, também destacou o significado da homenagem. “Essa homenagem é muito justa e sincera. A comunidade se uniu para fazer algo simples e bonito por ela. Estou muito orgulhosa dessas pessoas, porque, se ela estivesse aqui hoje, faria o mesmo por essa comunidade que tanto cuidou.” Durante a inauguração da placa, Nilda discursou sobre a importância simbólica do gesto. “Minha filha nunca vai morrer. Essa homenagem é para sempre e vai manter a história dela viva. As crianças que nascerem vão saber que ela existiu e foi vítima de feminicídio, e que ninguém é dono de ninguém”, destacou. Dados alarmantes de feminicídio Assim como Yasminny, outras 1.463 mulheres foram mortas em 2023, vítimas de feminicídio no Brasil, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número vem crescendo ao longo dos anos e, em média, cerca de quatro mulheres são assassinadas por dia no país. Para a presidenta e fundadora da organização Tecle Mulher, Laura Mury, a violência contra a mulher ainda é tratada de forma equivocada por parte da sociedade e até por serviços não especializados de segurança pública. “Quando a mulher pede ajuda ou tenta registrar ocorrência, muitas vezes exigem provas, o que é muito difícil em casos de violência doméstica. Pela Lei Maria da Penha, não é preciso apresentar provas para denunciar ou pedir medidas protetivas. É fundamental que os agressores sejam punidos para que vidas sejam preservadas”, afirmou. Relembre o caso Yasminny Couto Ribeiro foi assassinada a tiros na noite de 2 de fevereiro de 2023, na Avenida João Faustino Lopes, em Sumidouro. Ela retornava do trabalho quando foi surpreendida pelo agressor. A jovem havia acabado de sair da farmácia onde trabalhava e seguia para casa, localizada em frente ao estabelecimento, quando encontrou o ex-namorado próximo ao portão da residência. Após os disparos, Willian Hottz da Silva foi detido em flagrante. Ele confessou o crime e foi levado para a delegacia. Antes de ser assassinada, Yasminny já havia procurado a polícia várias vezes para denunciar ameaças do ex-companheiro. O primeiro registro foi feito em 2019, quando ela relatou estar sendo perseguida e intimidada. Dois meses depois, novos boletins de ocorrência apontaram difamação e novas ameaças. O relacionamento entre os dois durou cerca de nove anos e terminou em outubro de 2019. Em maio de 2020, a farmacêutica voltou a procurar as autoridades por meio da delegacia on-line. Ela afirmou que o ex-companheiro havia descumprido a medida protetiva concedida meses antes e que as ameaças continuavam. No relato, disse que vivia sob constante medo, temendo pela própria vida e pela segurança do pai. De acordo com as investigações, o autor do crime teria se escondido no quintal da residência e aguardado a chegada da vítima. Yasminny foi atingida por cerca de quatro disparos no rosto. Após o crime, Willian fugiu para um clube pertencente à família, onde abandonou a arma usada e um casaco, antes de tentar escapar. Ele foi localizado e preso pouco tempo depois por policiais militares.