Quem são os 12 advogados alvos de operação por suspeita de atuar como 'pombo-correio' de facções no Ceará
Operação prende 11 advogados suspeitos de atuar como 'pombo-correio' de facções no Ceará A Operação 'Mensageiros do Crime', do Ministério Público do Ce...
Operação prende 11 advogados suspeitos de atuar como 'pombo-correio' de facções no Ceará A Operação 'Mensageiros do Crime', do Ministério Público do Ceará (MPCE), cumpriu mandados contra 12 advogados suspeitos de atuar como mensageiros de facções criminosas, nesta terça-feira (30). 11 deles foram presos e uma suspeita segue foragida. Os advogados são investigados por ligações criminosas com presos de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O g1 apurou que os advogados alvos da operação são: Cintia Emanuela Daniel Alves (foragida); Raissa Xavier Leitão; Agnelo Alexandre de Souza Amorim; Francisco Jair Moreira Caetano; Debora Marny de Aguiar Parente; Francisca Leny Carneiro; Aniele dos Santos Moreira; Ana Flávia Martins Braga da Silva; Carina Brauna Bruno Sales; Maria Jakelyne Albuquerque Almeida; Tancredo de Lima Araújo; Rennier Martins Vasconcelos. Dois advogados alvos da operação concorreram a vagas de vereadores, em Fortaleza e Caucaia, nas eleições de 2024. São eles: Rennier Martins Vasconcelos, que concorreu como "Dr. Rennier" na urna, pelo MDB. Ele ficou como suplente do partido após receber 1.062 votos. Debora Marny De Aguiar Parente que concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Fortaleza pelo Agir. Ela recebeu 27 votos. As defesas dos advogados presos não foram localizadas para comentar as prisões e a investigação. A matéria será atualizada se houver manifestação. A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) suspendeu cautelarmente os 12 advogados do exercício da função. Em nota, a OAB-CE disse que "acompanha o cumprimento da operação deflagrada nesta terça-feira (30/6), com o objetivo de assegurar a observância da legalidade dos atos praticados e a garantia das prerrogativas profissionais previstas no Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94)". "A OAB Ceará repudia qualquer tentativa de criminalização do exercício profissional e ressalta que o acompanhamento institucional não representa qualquer juízo de valor sobre os fatos investigados, mas decorre do dever da Ordem de zelar pelo devido processo legal, pela ampla defesa e pelo respeito às garantias asseguradas a toda cidadã e todo cidadão, inclusive aos advogados no exercício da profissão", disse a instituição em nota. Ainda segundo a Ordem, "confirmada a participação de advogados em condutas incompatíveis com a ética e a dignidade da advocacia, serão adotadas as medidas cabíveis no âmbito do Tribunal de Ética e Disciplina (TED)". Os processos disciplinares tramitam sob sigilo, sendo suas informações acessíveis apenas às partes, seus defensores e à autoridade judiciária competente, ressaltou.. "A OAB Ceará reafirma seu compromisso inegociável com a ética, a legalidade, o respeito da advocacia criminal e a defesa da sociedade, não compactuando com qualquer prática ilícita ou conduta que comprometa a dignidade da profissão", completou o órgão. Operação do MP Celulares apreendidos durante operação contra advogados no Ceará. MPCE/Reprodução Batizada de “Mensageiros do Crime”, a operação identificou uma "rede de comunicação estruturada" que utilizava advogados para transmitir ordens de chefes do crime presos para integrantes das facções, dentro e fora do Ceará. A ação também cumpriu mandados contra chefes de organizações criminosas e resultou no bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados, além da apreensão de bens. Um veículo Range Rover blindado foi apreendido com um dos chefes de facção preso. A operação também apreendeu celulares, notebooks e joias dos demais alvos. Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nos municípios de Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Itatinga, Maracanaú e São Gonçalo do Amarante, além de São Paulo. Segundo o MPCE, 17 mandados de prisão foram cumpridos contra chefes de facção criminosa, sendo que 15 já estavam presos na Unidade Profissional de Segurança Máxima do Estado do Ceará e dois estavam em liberdade. Durante a operação, um veículo Range Rover blindado foi apreendido com um dos chefes de facção preso. Também foram recolhidos celulares, notebooks e joias dos demais alvos. Captação de áudio em presídio Operação cumpre 58 mandados contra chefes de facções e advogados que atuavam como mensageiros no Ceará Ministério Público/Divulgação As investigações tiveram início após decisão do Tribunal de Justiça do Estado, em novembro de 2025, que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios do presídio de segurança máxima. A análise do material revelou indícios de que determinados advogados, sob o aparente exercício da assistência jurídica, estariam atuavam em favor de organizações criminosas. De acordo com o MPCE, conversas registradas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026 apontaram um padrão reiterado de condutas criminosas entre detentos e advogados, com uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos. As comunicações incluíam repasse de ordens e orientações a familiares, outros presos e integrantes em liberdade, com finalidades como reorganização de facções, expansão territorial, cooptação de membros, aquisição de armas e circulação de drogas. As apurações também indicaram que, mesmo presos, os chefes de facção continuavam exercendo funções relevantes dentro das organizações criminosas. Segundo o Ministério Público, os advogados atuavam como “pombos-correio” ou “advogados de recado”, em conduta que extrapola os limites do exercício profissional e contribui para o fortalecimento das facções. Os diálogos interceptados ainda mostraram que a maioria dos advogados investigados possui vínculos entre si, com referências mútuas constantes, o que indica a existência de uma rede estruturada e não de atuações isoladas. Também foi identificado que esses profissionais visitavam os mesmos detentos com frequência elevada e realizavam grande volume de atendimentos, em quantidade considerada incompatível com o padrão regular de assistência jurídica, conforme dados do Sistema Integrado de Gestão Penitenciária. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: